segunda-feira, 30 de maio de 2011

O Porquê Deste Blog ou Para Que Servem As Palavras

     Assisti um filme de terror uma vez, em que ocorre um blecaute num cinema.
     Ao retornar a luz, a maioria das pessoas da sessão haviam desaparecido.
     Os sobreviventes pouco sabem, a princípio, o porquê daquilo.
     Mas percebem que o fenômeno se deu no mundo todo.
     Começam a entender que há uma escuridão, que cada vez avança mais e mais.
     O sol, a cada dia que passa, surge mais tarde e a noite se prolonga.
     Essa escuridão tem por finalidade encurralá-los e, por fim, devorá-los.
     Começam a perceber também, que a única coisa que os pode salvar é alguma luz que, por
ventura, consigam manter acessa.
      Um a um, são tragados pelas sombras, enquanto correm desesperados atrás de lanternas
e postes de luz, faróis de carros e baterias portáteis.
      E dessa maneira que sinto.
      Essa luz é tua humanidade.
      E essa sombra é a barbárie se aproximando.
      Tua vida vale menos que teus pertences e é facilmente tirada por causa de uma discussão.
      Essa pequena e preciosa luz, que levamos milênios para criar desde que nos arrastamos
das obscuras cavernas da nossa animalidade, está desaparecendo.
      Sendo engolida pela ignorância, pela indiferença e pela esperteza daqueles que já perderam
a sua chama.
      E mesmo aqueles que estão no mundo apenas pela festa, quando esta acaba - se não estão
bêbados o suficiente - sentem o perigo a rondá-los, mesmo em seus carros.
      Por isso entram assustados para dentro de seus condomínios.
      Esperando alí estarem a salvo.
      Esquecem eles que castelos já foram postos abaixo.
      Enfim: este blog sou eu, correndo com uma lanterna na mão e cuja pilha  está enfraquecendo.
      Mas, como os personagens do meu filme, continuarei correndo até a escuridão me engolir.
      Talvez encontre mais luzes pela frente e consiga espantar as sombras.
      Você tem pilhas?

5 comentários:

  1. tá bonitaço este texto, paulão! dá força!
    vou espalhá-lo o melhor que posso.

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  2. Paulo, não volte mais a trabalhar em escola. Quando estavas lá não saía uma linha. Tá, mas tu queres pilha pra quê? Brincadeira. Belo texto. O Whitman tem um poema em que ele diz mais ou menos assim " O que tu tocas camarada não é um livro, este livro sou eu". Pan.

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  3. Para não ser repetitiva, não direi que este texto está maravilhoso... .Providenciarei um estoque de pilhas...

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  4. Clarice Sant Anna30 de maio de 2011 22:11

    Como a estória do menino correndo atrás de um balão levado pelo vento, até que descobre que ele era o vento...
    Não fica procurando pilha, não. Num carece.
    bj
    Clarice

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  5. Meu amigo, tenho pilhas, mas o mais importante, também possuo uma lanterna. Talvez se juntarmos nossas lanternas o feixe de luz será mais potente, o que me diz? Vamos 'caçar' possuidores de lanternas por aí a fora!

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