segunda-feira, 18 de abril de 2011

Máquina do Tempo

     Ando sentindo falta de um raio de sol dos meus nove anos
     Que encontrei refletido em teus olhos, dez anos depois. 
     E de uma brisa que roçou meu rosto aos quatorze,
     E que voltou para brincar em teus cabelos quando te conheci.
     De uma rua que desci, esperançoso, atrás dessa mesma brisa.
     Como a antecipar-te quando, então, ainda nem presença eras.
     Sinto saudades de um dia de chuva em que pensei no futuro,
     E te sabias sorrindo em alguma janela.
     E de uma tarde em que descobri a morte,
     E que no entanto era apenas a janela vazia.    
     De quando o medo não era amargo, os sonhos sem desespero.
     Dos trilhos de um trem nos ombros de meu avô,
     E da minha vó pra sempre.
     (Como isso me lembra de ti).
     De quando pequei pela primeira vez - cinco ave-maria e um pai-nosso -
     E de como soube que tu eras o pão e o vinho.
     Hoje, cego e sem Virgílio, busco-te Beatriz.
     Sabendo-me confinado ao nono círculo  para todo sempre.

4 comentários:

  1. opa! acho que li um poema! e teu! é isso mesmo?

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  2. eu sabia que seria lindo quando este casulo rompesse...
    amo-te!

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  3. Lindo, Paulão!
    Um abraço da Vivi

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